Dados divulgados pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) indicam que somente em janeiro deste ano, foram registrados 5.783 casos de violência doméstica no estado, o que representa 186 ocorrências por dia, quase oito por hora. A violência de gênero permanece como uma das expressões mais graves de desigualdade social no país, refletindo uma estrutura histórica que coloca mulheres em situação de vulnerabilidade e risco.
Com a proximidade do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o debate sobre violência de gênero e feminicídio ganha ainda mais relevância. A data reforça que, além da conscientização, é fundamental fortalecer redes de apoio e promover mudanças culturais que contribuam para a construção de relações mais igualitárias.
O tema foi discutido na palestra "Violência de Gênero e Combate ao Feminicídio", promovida pelo Conselho Regional de Contabilidade (CRCPR), em outubro de 2025, com a participação da contadora e secretária municipal de Políticas Públicas para Mulheres de Guarapuava, Priscila Shran de Lima, e Laudelino Jochem, conselheiro representante do Paraná no Conselho Federal de Contabilidade. A palestra foi mediada pela contadora Denisa Borçato.
Para a palestrante Schran de Lima, o aumento dos casos de feminicídio reflete estruturas sociais ainda marcadas pelo patriarcado, em que desigualdades históricas entre homens e mulheres continuam influenciando relações de poder.
“O feminicídio é um sinal de que a sociedade ainda está sendo baseada no sistema patriarcal”, afirma palestrante Priscila Schran de Lima.
Nesse cenário, a violência contra mulheres não ocorre de forma isolada, mas está ligada a padrões culturais que ainda naturalizam a discriminação e a violência de gênero. “O feminicídio é cometido pela condição de ser mulher”, afirmou.
A violência de gênero também repercute diretamente nas relações de trabalho. Entre os impactos apontados estão afastamentos, queda de produtividade e prejuízos na carreira, especialmente quando as vítimas não encontram suporte, contextualiza Jochem.
“As empresas e organizações têm papel fundamental no enfrentamento ao problema”, diz Jochem.
A criação de políticas internas de prevenção ao assédio, programas de apoio às vítimas, capacitação de lideranças e promoção da igualdade salarial foram algumas das medidas apontadas como essenciais.
Confira a palestra completa em Violência de Gênero e Combate ai Feminicídio: Um olhar de atenção nos ambientes de trabalho
CRCPR e a Igualdade de Gênero
O CRCPR é signatário do Pacto Global, iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), assumindo o compromisso com seus colaboradores e comunidade contábil. O objetivo do pacto é orientar e apoiar a comunidade empresarial global no avanço das metas e valores da ONU por meio de práticas corporativas responsáveis, entre elas, os Direitos Humanos e Trabalho. No âmbito do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 5, que promove a Igualdade de Gênero, a autarquia atua com políticas para seus funcionários e colaboradores, promovendo licença maternidade estendida, Cartilha de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio, pesquisas e incentivos à participação feminina em cargos de liderança e outras medidas de enfrentamento à violência de gênero.
Em julho de 2025, na capital paranaense, ocorreu a 3ª Caminhada do Meio-Dia – Paraná Unido contra o Feminicídio. A concentração aconteceu na Praça Santos Andrade, no centro, e a caminhada seguiu até a Praça Osório, na tradicional região da Boca Maldita. A campanha estadual promoveu ampla mobilização social, visando visa sensibilizar a sociedade sobre a gravidade do feminicídio, promover o engajamento de diferentes setores da comunidade e fortalecer a rede de apoio e proteção às mulheres .Leia mais em CRCPR participa da 3ª Caminhada do Meio-Dia em apoio à campanha “Paraná Unido contra o Feminicídio”
Canal de atendimento nacional
A central de atendimento à mulher, pelo telefone 180, é um dos principais canais de apoio e orientação às vítimas. O atendimento está disponível 24h por dia e fornece informações sobre leis; direitos da mulher; serviços de rede de atendimento (Casa da Mulher Brasileira, Centros de Referências, Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam), Defensorias Públicas, Núcleos Integrados de Atendimento às Mulheres); registro e encaminhamento de denúncias. A ligação pode ser feita a partir de qualquer região do Brasil.
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