A Vice-Presidência de Fiscalização, Ética e Disciplina do Conselho Regional de Contabilidade do Paraná (CRCPR) desempenha papel fundamental na preservação da credibilidade e da integridade da profissão contábil, atuando na orientação, fiscalização e valorização das boas práticas que sustentam a confiança da sociedade nos profissionais da área. Em um contexto de avanços tecnológicos e ampliação das responsabilidades do contador, a área torna-se ainda mais estratégica para assegurar que o exercício da contabilidade esteja alinhado aos princípios éticos, à transparência e ao interesse público.
Nesta entrevista, o vice-presidente de Fiscalização, Ética e Disciplina, Michel Melhem, apresenta sua visão sobre a importância da atuação orientativa do Conselho, os desafios enfrentados diante das transformações da profissão e as prioridades estabelecidas para o atual mandato.
Confira entrevista com Michel Melhem:
Michel Melhem (MM): Consolidar a mudança de percepção da fiscalização, que historicamente era vista apenas como punitiva, para uma atuação cada vez mais orientativa e preventiva. Já havia a expectativa de avançar nesse sentido, mas a intensidade das transformações tecnológicas e a necessidade de ampliar a conscientização dos profissionais exigiram um esforço maior do que o previsto. Também foi desafiador ampliar o alcance das ações fiscalizatórias em um estado grande como o Paraná, o que demandou investimento contínuo em tecnologia para garantir presença efetiva do Conselho em todas as regiões.
CRCPR Online: O que mudou no cenário contábil nesses dois anos e como isso impactará a atuação da Vice-Presidência de Fiscalização, Ética e Disciplina na gestão 2026-2027?
MM: O cenário contábil passou por uma aceleração significativa em termos de tecnologia, automação e inteligência artificial, além do aumento das exigências regulatórias. Essas mudanças impactam diretamente a fiscalização, que também precisa se modernizar para acompanhar a realidade dos escritórios e das empresas. Para a nova gestão, isso significa aprofundar o uso de ferramentas tecnológicas, ampliar a fiscalização preventiva e fortalecer iniciativas de orientação, garantindo que os profissionais tenham acesso à informação e consigam atuar com segurança diante das novas demandas.
CRCPR Online: Quais serão os novos desafios para a gestão que se inicia?
MM: Manter o equilíbrio entre orientação e punição, assegurando a qualidade dos serviços contábeis sem perder o caráter educativo da fiscalização. Outro ponto relevante é lidar com o volume crescente de informações e dados, que exige maior capacidade de análise e decisões cada vez mais técnicas. Além disso, será essencial continuar aprimorando a atuação das Câmaras, que reúnem profissionais experientes do mercado para analisar processos com profundidade e responsabilidade.
CRCPR Online: Quais objetivos e projetos considera estratégicos para este novo ciclo de gestão?
MM: Dar continuidade ao planejamento de médio e longo prazo já iniciado, projetando ações que ultrapassem o período do mandato e garantam evolução contínua da fiscalização. Nesse contexto, destacam-se iniciativas como o fortalecimento da fiscalização preventiva, a ampliação de programas de orientação aos profissionais e o investimento em tecnologia, automação e inteligência artificial. Projetos como o Manual Prático do Fiscalizado também são fundamentais para oferecer uma fonte clara e acessível de esclarecimento sobre procedimentos e obrigações.
CRCPR Online: Quais são suas expectativas em relação aos impactos do trabalho da sua Vice-Presidência para os profissionais da contabilidade no Paraná e que mensagem gostaria de deixar à comunidade contábil neste início de gestão?
MM: A expectativa é que os profissionais se sintam cada vez mais seguros, orientados e valorizados, compreendendo que a fiscalização existe para preservar a qualidade da profissão e fortalecer a confiança da sociedade na contabilidade. A mensagem à comunidade contábil é de parceria: o Conselho continuará investindo em orientação, transparência e tecnologia para apoiar o exercício profissional ético e qualificado, tendo a punição apenas como medida necessária em situações específicas, sempre com o objetivo maior de proteger e valorizar a classe contábil.
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