No dia 3 de março, a contadora e palestrante do Conselho Regional de Contabilidade do Paraná (CRCPR), Priscila Schran de Lima, foi homenageada com o prêmio Rosy de Macedo Pinheiro Lima, em cerimônia realizada na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP). Alusivo ao Dia Internacional da Mulher, que acontece no próximo dia 8, a honraria é concedida a mulheres que se destacam em sua área de atuação, reforçando o reconhecimento na sociedade paranaense.
Criado em 2023, o prêmio leva o nome da primeira deputada estadual do Paraná e foi instituído no ano em que a Assembleia atingiu o maior número de mulheres em sua composição parlamentar. Neste ano, 10 mulheres foram premiadas por sua trajetória.
Priscila se envolveu com o ativismo pelo direito das mulheres em 2004, antes de existir a lei Maria da Penha, por meio do movimento de Mulheres da Primavera, em Guarapuava. Entre 2017 e 2024, foi responsável pela Secretaria da Mulher do município e implementou, junto à rede de enfrentamento a violência, políticas públicas estratégicas de enfrentamento e redução do feminicídio. Guarapuava estava entre as 100 cidades do país com maior quantidade de registros de assassinato de mulheres, número que foi reduzido em 89%. A média de oito feminicídios ao ano foi reduzida a um por ano. Também foram instituídos outros programas de autonomia econômica e aceleração de liderança feminina, além da triplicação do orçamento público da prefeitura direcionados às políticas femininas. O trabalho se tornou referência dentro do Estado do Paraná, credenciando-a para integrar a Rede de Lideranças Femininas da Universidade de Columbia, no programa Columbia Women's Leadership Network.
Nesta entrevista, Priscila Schran de Lima compartilha sua experiência e trajetória:
CRCPR Online: Como você recebeu essa homenagem da ALEP e o que ela representa para você enquanto contadora que atua em um setor historicamente marcado por desafios para as mulheres?
Priscila Schran de Lima (PSL) : Trata-se de uma imensa alegria, a confirmação de que meu trabalho se expandiu e ultrapassou as fronteiras do meu município. Hoje, não alcanço apenas Guarapuava, mas todo o Estado do Paraná, sendo reconhecida por essa trajetória. Atualmente, minha atuação está voltada à consultoria e à assessoria em políticas públicas para as mulheres, junto a prefeituras e governos estaduais. Como contadora, desenvolvi a competência de compreender e manejar com profundidade o orçamento público, bem como de orientar e alertar os gestores de que o lugar da mulher também está no orçamento público, pois não há transformação de realidades sem a devida alocação de recursos. Políticas públicas que demandam mudanças culturais profundas requerem, necessariamente, investimento e compromisso com recursos públicos adequados.
CRCPR Online: De que maneira você enxerga a presença e a evolução das mulheres na contabilidade, e quais avanços ainda considera essenciais para garantir mais equidade e oportunidades na profissão?
PSL: Historicamente, nós, mulheres, temos conquistado espaços profissionais e avançado em nossas carreiras por meio de muito preparo, dedicação e qualificação. Estudamos, planejamos e buscamos constante atualização. Quando o assunto é competência técnica e compromisso com a excelência, estamos plenamente alinhadas. No entanto, muitas vezes, o que nos falta não é conhecimento ou capacidade, mas acesso a redes de relacionamento e oportunidades de visibilidade. Construir networking, tornar nosso trabalho conhecido e ocupar espaços de destaque exigem que confiemos em nosso próprio potencial.
CRCPR Online: Como seu trabalho contribui para fortalecer a classe contábil do Paraná e que mensagem você gostaria de deixar às mulheres que ingressam ou pretendem ingressar na profissão?
PSL: Meu trabalho contribui para fortalecer a classe contábil do Paraná ao reafirmar, por meio da minha atuação, a importância da qualificação técnica, do compromisso com a excelência e da presença feminina nos espaços de decisão. Estudamos, planejamos muito e nos atualizamos sempre. No quesito “estudar” para fazer bem e crescer, estamos bem alinhadas e essa postura fortalece não apenas trajetórias individuais, mas toda a profissão. Às mulheres que ingressam ou desejam ingressar na contabilidade, deixo a mensagem de que garantir visibilidade sobre o nosso trabalho e sobre nós, para nos destacarmos em redes de contatos, requer que confiemos em nosso potencial, mesmo quando a estrutura — muitas vezes machista e até misógina — parece ser tão fechada que insiste em deixar as mulheres de lado. Não podemos esquecer que essa estrutura que nos diminui não é um problema individual, mas coletivo e carregado de um histórico em que mulheres não pertenciam aos ambientes de negociação e tampouco eram consideradas para assumir posições de liderança ou cargos em conselhos. Que essa estrutura rígida não nos aprisione, nem nos impeça de acreditar que estamos preparadas para crescer e avançar na profissão.
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